O Scrume

Thursday, November 20th, 2008 | Programming

Como varias pessoas próximas a mim ja sabem eu deixei a RedHat em abril deste ano por motivos pessoais, o trabalho remoto mesmo tendo suas vantagens não conseguiu despertar em mim a mesma proatividade e cumplicidade que eu teria trabalhando com pessoas reais durante o dia-a-dia. Trabalhar em uma empresa em que eu pudesse estar fisicamente locado com um time e desenvolvendo um software incremental foram os motivos que me levaram a globo.com.

Dentro da gcom trabalhamos usando a metodologia Scrum, temos varios casos de sucesso e uma boa reputaçao no mercado brasileiro com a adoção desta metodologia. Mas o sucesso dos projetos não vem apenas do uso de uma metodologia agil, pessoas com otimas noções de negócio e tecnologia fazem o barco andar de forma gloriosa. Tive a sorte de participar logo no primeiro contato na empresa com profissionais que valorizam a qualidade de seu código, alem de entregar algo rápido e funcional também olham para o como fazer melhor, refatorar um algoritmo que não ficou bom em uma primeira abordagem, ou seja fazemos software.

Sempre brinco pelos corredores, que hoje em dia que as empresas se preocupam mais em vender a imagem que fazem o negocio de uma forma diferente das demais e deixam totalmente de lado as boas praticas de desenvolvimento que foram esculpidas durante anos de tentativas, erros e evoluções. Nasce ai o Scrume, a desculpa de usar a metodologia e/ou a abordagem agile com pessoas que não levam à paixão seu trabalho. Conversas que tive com o Philip calçado e artigos como “The Decline and Fall of Agile” veem apenas confirmar esta visão, anos de evolução sendo deixadas de lado por modismos.

Se você pensar de uma maneira racional, software vem sendo desenvolvido ao longo dos anos possibilitando avanços significativos em vários campos como biologia, astronomia e finanças para não me alongar, a não adoção do “scrum” não fez projetos como linux ou colocar o homem na lua com um tubo de 8088 por exemplo ser fadado ao fracasso. Ocorreram erros, acertos e em alguns momentos pessoas precisaram se sobrepor para trazer o bom senso a tona.

Concordo plenamente que a adoção do scrum por exemplo, aumenta a visibilidade dos problemas que ocorrem no desenvolvimento de features por termos um feedback rápido do cliente ou da organização, mas não é tendo apenas essa abordagem que fara seu projeto ser bem sucedido.

Os projetos hoje que dão certo, estão envoltos em uma gama de outros fatores que equilibram essa equação. Fica meu conselho, não é trazendo um evangelista e adotanto Scrum para sua empresa que fará seus projetos darem certo, mas se e somente se as pessoas envolvidas acreditarem no que estão fazendo.

Ps, Resolvi começar a postar em português neste blog, que me desculpem os gringos.

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6 Comments to O Scrume

Jose Muanis
November 20, 2008

Só pra registrar o que já conversamos. Nenhum ser humano, por mais elevado que seja o seu nível de comprometimento vai dar tudo de si quando está fazendo algo obrigado ou “por que precisa”. Para que seja criada uma obra-prima é necessário paixão.

Dirceu Pereira Tiegs
November 20, 2008

Nunca tive a oportunidade de usar Scrum, mas concordo com você: não adianta se preocupar com “fazer diferente” ou usar metodologias ágeis quando o time não se importa com o que faz.

“O trabalho remoto mesmo tendo suas vantagens não conseguiu despertar em mim a mesma proatividade e cumplicidade que eu teria trabalhando com pessoas reais durante o dia-a-dia”: +1 pra isso. Eu trabalho remotamente há 2,5 anos e cada vez mais penso em voltar a trabalhar “presencialmente” por causa disso.

Rafael Carneiro
November 20, 2008

Fala Meyer,

gostei do nome, bem intuitivo! :-)

Falando apenas do mercado local que estou inserido (Fortaleza), vejo que o problema não está nas metodologias ágeis, e sim nas pessoas. Ao meu ver, esse é o maior (e perigogoso) problema. Está faltando profissionalismo e preparo dos profissionais.

Antonio Carlos Silveira
November 22, 2008

Meyer, acho qe vc resumiu bem o ponto central da questao e todos nós sabemos isso.

Se ao acordar vc se sente um merda de ter de ir trabalhar isso é o inicio do fim.

É preciso acordar e saber que vc vai passar por situações difíceis e muitas vezes por discussões de merda e ter de aturar muitas pessoas ignorantes e fracas.

Mas no fim ao vencer estas batalhas e entregar algo que vc acredita, algo que vc tem orgulho. Isso é o porque trabalhamos. E ao saber que tem pessoas ao seu lado que pensam e defendem as mesmas coisas e que vão batalhar com vc, isso dá mais vontade ainda de trabalhar e continuar na luta.

Quanto aos ignorantes e aos Zumbis, eu deixaria eles de lado, a hora deles vai chegar.

abs,

Antonio

Rafael Ponte
November 25, 2008

Assim como o Rafael Carneiro comentou, o nosso mercado (Fortaleza) é a prova de que o problema não está nas metodologias ágeis, mas sim nas pessoas, nos profissionais e algumas vezes na equipe como um todo.

Eu também já trabalhei remoto, porém com certeza me sinto muito mais a vontade ao interagir com uma equipe de bons profissionais.

Parabéns pelo post!

Luca Bastos
December 3, 2008

Legal seu post que só li hoje pois estava em Paraty.

E é ótimo que escreva em português. Já ando meio de saco cheio de ler blogs de brasileiros em inglês.

Abraços

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